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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Pacientes abandonados 'moram' no maior hospital de urgência do Ceará


O Instituto Doutor José Frota, maior unidade de urgência e emergência, tem37 pacientes “morando” na unidade após serem abandonados. Segundo o hospital, a maior parte desses pacientes é de homens, entre 18 e 40 anos, usuário de droga e que foi levado ao hospital após sofrer agressão. O mais antigo “morador” está no IJF há 10 meses, sem que ninguém saiba onde mora ou quem são os familiares do paciente.
Esses pacientes ficam sob os cuidados da equipe de assistência social do IJF, cuja função é localizar a família dessas pessoas. De acordo com diretores do IJF, a ocupação de 37 leitos por tempo indeterminado prejudica a capacidade de atendimento no hospital.
“Isso represente um abandono de incapaz. Quando a pessoa se encontra nessa situação, sem condição de se autocuidar, então o Ministério Público tem como judicialmente acionar os familiares para que ele realmente tenha um suporte maior”, explica Viviany Bezerra, chefe do setor de Serviço Social do IJF.
Segundo Viviany, quando a família não é localizada, a Justiça pode obrigar o estado a abrigar o paciente em uma instituição pública. A política de abrigar pessoas no Ceará, no entanto, atende exclusivamente crianças e idosos. “A pessoa entre 18 e 60 anos não tem nenhuma política pública de assistência e ficam abandonadas nos hospitais”, diz.
José Aírton, de 76 anos, mora no IJF há dois meses e diz que ainda não recebeu visita de familiares. “Veio uma vizinha somente, que gosta muito de mim, trouxe meus documentos. Está com muitos anos que eu deixei [a família], não quis mais saber”, diz. Ele está incapaz de andar e receber ajuda do estado para deixar o hospital.
* Reprodução Márcio Melo

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