Furtado cumpriu dez anos em regime fechado, ganhou direito ao semiaberto (saía para trabalhar, com autorização da Justiça e voltava para dormir na prisão), mas não voltou naquele dia ao Centro de Progressão Penitenciária de Belém (CPPB).
Desde então, a Polícia Civil do Pará está fazendo diligências para recapturá-lo.
A advogada Celina Hamoy, que acompanhou a família de Marielma à época do crime, lamenta que Furtado esteja solto. Por outro lado, diz que a falha é do sistema penal brasileiro, que não controla de modo eficiente o retorno à cadeia de quem está no regime semiaberto.
Saída temporária
Também condenada pela morte de Marielma, com uma pena de 33 anos de prisão, Roberta Sandreli Monteiro, ganhou direito a uma saída temporária da prisão em agosto de 2015, pelo Dia dos Pais. Também não retornou no prazo previsto pela Justiça.
Foi recapturada este ano e voltou para o regime fechado no Centro de Recuperação Feminino (CRF) da Susipe (Superintentência do Sistema Penitenciário) do Pará, em Ananindeua.
A Susipe informou que, em 2015, a Justiça autorizou a saída temporária de 5.206 detentos no Pará em datas especiais, como Natal ou Dia dos Pais. Destes, 4.617 retornaram e 589 (11,3%) não retornaram no período determinado, passando a ser considerados foragidos.
No Pará, a Justiça garante aos detentos que cumprem pena no regime semiaberto o direito a cinco saídas temporárias no ano.
A Susipe não possui dados sobre quantos dos 589 já retornaram espontaneamente ou foram recapturados, mas destaca que não necessariamente todos continuam foragidos. A população carcerária do Pará é formada hoje por 13.836 detentos.
O Departamento Penitenciário Nacional, órgão do Ministério da Justiça, informou não dispor de dados nacionais sobre fugas. O Brasil tem hoje uma população carcerária de 622.202 pessoas, sendo que 16% cumprem pena em regime semiaberto.
Combate ao trabalho infantil
O caso de Marielma tornou-se símbolo da luta contra o trabalho infantil doméstico, uma prática que o país ainda tolera e que só costuma punir com severidade quando alcança extremos como tortura, estupro e morte.
Marielma foi "dada" pela mãe, uma agricultora da cidade de Vigia, no litoral paraense, para trabalhar na casa de Furtado e Rolim, em Belém.
"Marielma cuidaria do bebê do casal. Em troca, teria escola, roupa, comida, e a família receberia uma cesta básica mensal. Mas nada disso aconteceu", conta Hamoy.
Marielma foi seguidamente torturada e espancada pelo casal, até ser encontrada morta em novembro de 2005. Um laudo médico apontou costelas quebradas, rins e pulmões perfurados, além de cortes e queimaduras. O exame também indicou sêmen no corpo da menina, indício de violência sexual.
A defesa dos patrões alegou à época que Marielma havia molestado a filha deles, de um ano. Exames no bebê descartaram essa tese.
Em Belém, uma lei municipal promulgada em 2009 transformou o dia 12 de novembro, data da morte de Marielma, em Dia Municipal do Combate à Exploração da Mão de Obra Infantil.
* Fotos: BBC
Fonte: MSN
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