A receita do sucesso é variada e depende, na análise de especialistas em administração pública, do planejamento feito por cada gestão. Mas uma fórmula para evitar fechar o ano sem conseguir arcar com as despesas é criar alternativas próprias para aumentar a arrecadação, além, claro, de economizar.
Segundo o prefeito de Pitangui, Marcílio Valadares (PSDB), o salário extra dos servidores só será pago porque o Executivo conseguiu poupar parte das verbas recebidas em anos anteriores.
“Todos os municípios pequenos passam apertado. Eu só vou conseguir pagar porque eu guardei o dinheiro de um auxílio financeiro repassado pelo governo federal no início do ano passado. Já estou pegando o dinheiro da gordura”, justifica.
O tucano chega a brincar que a solução é “ser pão-duro”. “A nossa arrecadação caiu muito de junho pra cá, cerca de 20%. O prefeito que não faz reserva fica com as contas no vermelho”, ressalta o gestor, que ainda sugere a “criatividade” como forma de reverter a falta de verbas. “Fiz convênios com vários setores, entre eles com uma empresa de transportes, e não paguei nada pela renovação da frota”, explica.
Para o diretor da Libertas Auditores e Consultores e professor do Ibmec, Miguel Augusto Dianese, a União é a maior responsável pelas dificuldades financeiras. “Tirar o IPI da linha branca e automóveis macula a principal fonte de dinheiro dos municípios que é o Fundo de Participação dos Municípios (FPM)”, avalia.
O especialista destaca, no entanto, que as cidades enfrentam empecilhos para conseguir aumentar a receita própria. “A renda do cidadão que mora nos pequemos municípios é muito menor, então não adianta aumentar o IPTU, por exemplo. Assim você só vai aumentar a inadimplência”, diz.
O primeiro passo, segundo Dianese, é conseguir aumentar o FPM e fazer uma gestão mais rigorosa, cobrando da população o pagamento das dívidas e impostos.
Alternativas
Apesar de admitir que a situação das prefeituras não é fácil, a Confederação Nacional dos Municípios (CNM) orienta os prefeitos a buscarem formas próprias de aumentar a renda. Uma opção é manter atualizada a tabela do IPTU, muitas vezes defasada. Outra alternativa é fiscalizar empresas como cartórios, construtoras e hoteleiras em relação à cobrança do ISS e a implantação da nota fiscal eletrônica.
Irregularidade
Segundo a CNM, 5.368 prefeituras vão encerrar o ano com irregularidades no Cadastro Único de Convênios. Este número corresponde a 96,4% dos 5.570 municípios brasileiros. Em Minas, 543 das 853 cidades – o equivalente a 63,7% – estão com problemas para receber transferências voluntárias da União. O fato, alerta a CNM, pode piorar a situação financeira das cidades.
Fonte: Cidade News via O Tempo
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