terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Sem subsídio, preço da saca do milho aumenta cerca de 72% no RN

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A queda do subsídio do milho do Programa Venda em Balcão elevou o preço do produto em cerca de 72% no Rio Grande do Norte e preocupa os pecuaristas, com a elevação do custo de produção do rebanho. Desde o início deste ano a saca de 60 kg está sendo vendida nos postos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no Estado por R$ 39,90, enquanto que, até o ano passado, custava R$ 23,10.

De acordo com João Maria Lúcio, superintendente da Conab no RN, a suspensão do subsídio decorreu do fim prazo da Portaria Ministerial (nº 710 de 17 de julho de 2014), com prazo expirado no último dia 31 de dezembro, que oferecia, não apenas o preço mais baixo para os pequenos e médios produtores, mas a garantia do milho para o Nordeste durante o período da seca.
Segundo especificava a Portaria, os beneficiários do Programa Venda em Balcão eram os criadores de pequeno porte de aves, suínos, bovinos, caprinos e ovinos, situados e com atividade nos municípios atingidos pela seca, localizados na área de atuação da Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste).
A quantidade de produto a ser disponibilizado para o programa, durante seis meses, era de até 180 mil toneladas, sendo 30 mil toneladas/mês e o limite de aquisição por beneficiário/mês até 3 mil quilos.
O fim do subsídio afeta todo o Estado do Rio Grande do Norte, tendo em vista os cursos de produção que já vinham sendo impostos para aqueles que se beneficiavam do programa do governo federal. Aproximadamente 37 mil produtores potiguares, entre pequenos e médios, estavam inscritos no programa.
O superintendente da Conab no RN estima uma retração nas vendas nos balcões da Companhia. “O aumento do preço pegou muitos produtores de surpresa. Todos estão reclamando que o preço da saca aumentou consideravelmente. Com o fim do prazo da portaria, fomos orientados a vender a saca conforme preço de mercado e não temos o que fazer para evitar isso. Certamente as vendas irão cair nos próximos dias, se não houver uma nova portaria mantendo o subsídio”, comentou João Maria Lúcio.
Com uma paralisação de descarrego em dezembro do ano passado, o estoque de milho nos balcões da Conab pelo Rio Grande do Norte está, atualmente, com pouco mais de 2 mil toneladas. Dessas, 130,846 toneladas estão no balcão de Acari; 37,880 toneladas em Caicó; 62,025 toneladas em João Câmara; 349,60 em Mossoró; 1.253,874 toneladas em Natal (sendo 394,296 na unidade de Cidade Satélite e 859,578 na Jerônimo Câmara) e 232,462 em Umarizal.
“O estoque é pouco para abastecer todas as regiões, mas depende muito da necessidade de cada produtor. Os embarques do milho foram retomados no último dia 7 de janeiro e ainda temos 11.600 toneladas para receber em todo o Estado”, disse João Maria.
Nos próximos dias a superintendência da Conab no Estado deverá emitir uma nota técnica para a diretoria nacional de Abastecimento na tentativa de diminuir o preço que está sendo vendida a saca aos produtores potiguares. “Como não sabemos se o subsídio irá voltar, tentaremos ao menos diminuir o preço da saca, para que o impacto não seja tão grande para os produtores. Nossa intenção é chegar a pelo menos R$ 30 reais”, comentou o superintendente.
Carolina Souza
acw.souza@gmail.com
* O Jornal de Hoje

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