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sexta-feira, 27 de junho de 2014

Cerca de 5% da população global usou algum tipo de droga ilícita em 2012, afirma ONU



A prevalência do uso de drogas no mundo permanece estável, segundo o Relatório Mundial sobre Drogas do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). Cerca de 243 milhões de pessoas, ou 5% da população global entre 15 e 64 anos de idade, usaram drogas ilícitas em 2012. Usuários de drogas problemáticos, por outro lado, somaram por volta de 27 milhões, cerca de 0,6% da população adulta mundial, ou 1 em cada 200 pessoas.

Durante o lançamento do relatório em Viena (Áustria) nesta quinta-feira (26), no Dia Internacional Contra o Abuso de Drogas e o Tráfico Ilícito, o diretor executivo do UNODC, Yury Fedotov, chama atenção para um foco maior na saúde e nos direitos humanos de todos os usuários de drogas, especialmente daqueles que fazem uso de drogas injetáveis e que vivem com HIV.

“Ainda existem sérias lacunas na prestação de serviços. Nos últimos anos, apenas 1 em cada 6 usuários de drogas no mundo teve acesso ou recebeu algum tipo de tratamento para dependência de drogas a cada ano”, diz ele, ressaltando que 200 mil mortes relacionadas a drogas ocorreram em 2012.

O aumento na produção de ópio no Afeganistão representou um revés, afirma Fedotov, já que o maior produtor de papoula de ópio do mundo aumentou sua área de cultivo em 36%, de 154 mil hectares em 2012 para 209 mil hectares em 2013. Com um rendimento de cultivo de 5.500 toneladas, o Afeganistão representa 80% da produção global de ópio. Em Mianmar, a área sob cultivo de papoula cobriu 57.800 hectares, mantendo o aumento de cultivo iniciado após 2006. Em 2013, a produção global de heroína também voltou aos altos níveis testemunhados em 2008 e 2011.

Os Estados Unidos, a Oceania e alguns países da Europa e da Ásia têm visto usuários alternarem entre heroína e opioides farmacêuticos, uma tendência em grande parte ditada pelos baixos preços e acessibilidade; porém, enquanto usuários dependentes de opioides nos EUA estão trocando opioides farmacêuticos por heroína, usuários nos países da Europa têm substituído heroína com opioides sintéticos.

A disponibilidade global de cocaína diminuiu devido à queda na produção de 2007 a 2012. O uso de cocaína permanece alto na América do Norte, apesar de diminuir desde 2006. Enquanto o uso e tráfico de cocaína parecem crescer na América do Sul, a África tem testemunhado um aumento no uso de cocaína devido ao crescimento do tráfico pelo continente, enquanto o aumento do poder de compra tornou alguns países asiáticos vulneráveis ao uso de cocaína.

Globalmente, o uso de cannabis parece estar em declínio, mas a percepção de riscos menores à saúde levou a um maior consumo na América do Norte. Apesar de ser muito cedo para entender os efeitos de novos marcos regulatórios tornando legal o uso recreativo da cannabis em alguns estados dos EUA e no Uruguai sob certas condições, um maior número de pessoas procura por tratamento de transtornos relacionados a cannabis na maioria das regiões do mundo, incluindo a América do Norte.

As apreensões de metanfetamina mais que dobraram globalmente entre 2010 e 2012. A fabricação de metanfetamina se expandiu mais uma vez na América do Norte, com um grande aumento no número de laboratórios desmantelados nos EUA e no México. Das 144 toneladas de estimulantes tipo anfetamina apreendidos globalmente, metade foi interceptada na América do Norte e um quarto no Leste e Sudeste da Ásia. O número de novas substâncias psicoativas não reguladas no mercado global mais que dobrou, para 348, entre 2009 e 2013.

Controlando precursores, reduzindo a oferta de drogas ilícitas
A globalização do comércio de produtos químicos tornou mais fácil seu desvio de usos legais para ilegais. No entanto, o controle de precursores, os produtos químicos necessários para produzir drogas baseadas em plantas ou drogas sintéticas, tem tangivelmente reprimido tal desvio.

Entre 2007 e 2012, 15% do anidrido acético desviado para produzir heroína e 15% de permanganato de potássio usado para produzir cocaína foram interceptados. Durante esse período, apreensões de precursores de anfetaminas e metanfetaminas foram mais de duas vezes maiores que as apreensões das drogas em si.

Declínios no uso de substâncias como LSD e ecstasy nos últimos anos também podem ser parcialmente atribuídos a melhoras no controle de precursores, que mantém o preço dos produtos químicos desviados alto e aumenta o custo de produção das drogas. No Afeganistão, o anidrido acético valia até  430 dólares por litro em 2011, acima dos 8 dólares de 2002, mas custava 1,50 por litro nos mercados lícitos do mundo.

* Do Portal No Minuto

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