terça-feira, 3 de setembro de 2013

Apagão de grande magnitude atinge metade da Venezuela

Um apagão de grande magnitude afeta nesta terça-feira (3) grande parte da capital Caracas e metade dos 24 Estados de Venezuela, devido a uma falha em uma linha de transmissão que atende as regiões ocidental e central do país.

A situação gerava caos nas principais cidades do país de 29 milhões de habitantes, que teve que suspender temporariamente os serviços de metrô e trem nas principais áreas urbanas, enquanto as refinarias funcionavam com normalidade porque possuem suas próprias plantas de geração de energia.
"A falha começou aproximadamente às 12h30 em uma das linhas de transmissão principais, tronco do sistema elétrico nacional, o que originou a saída do serviço elétrico em boa parte do ocidente e zona central do país", disse o vice-ministro de Desenvolvimento Elétrico, Franco Silva, ao canal estatal VTV.
"Vamos levar várias horas para reiniciar as plantas de geração para poder restabelecer o serviço", disse o executivo, acrescentando que os Estados afetados são: Zulia, Lara, Falcón, Táchira, Mérida, Trujillo, Yaracuy, Portuguesa, Cojedes, Aragua, Carabobo e parte de Caracas.
A Venezuela sofre constantes racionamentos de eletricidade devido a problemas com geração hidrelétrica, da qual provém aproximadamente 64% de sua eletricidade.

Em 2010, o governo culpou a seca pela crise elétrica e assim que a temporada de chuvas recuperou os reservatórios, as acusações se voltaram para sabotagens, mas os racionamentos continuaram.

"Estou à frente da situação que estranha e abruptamente se apresentou no serviço elétrico, estaremos informando e atentos", escreveu o presidente Nicolás Maduro em sua conta do Twitter @NicolasMaduro.
Em 2007, o falecido Hugo Chávez, que nacionalizou vastos setores da economia com o objetivo de instaurar o socialismo na Venezuela, tomou grande parte do sistema elétrico ao estatizar a Electricidad de Caracas, na qual a norte-americana AES Corp AES.N tinha maioria acionária.
A partir de então, segundo analistas, o desinvestimento no setor levou à deterioração dos serviços de geração e transmissão a ponto de a pouca capacidade disponível efetivamente obrigar a racionamentos, apesar de a capacidade instalada do país ser maior que a demanda.
A capacidade instalada na Venezuela é de cerca de 28 mil megawatts (MW) e a demanda é de cerca de 18 mil MW, mas a capacidade operativa é menor que a demanda.

Além disso, o governo se queixa constantemente do desperdício de energia por parte dos venezuelanos, que consomem uma média de 5.878 kilovatts-hora (kWh) por residência por ano.

* Reprodução Márcio Melo

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