Na última segunda-feira (2), a defensora entrou com duas representações no Ministério Público. (MP). A intenção é que a promotoria criminal instaure um inquérito policial contra o médico e que a Procuradoria da Curadoria do Idoso verifique a conduta não só do profissional, mas também a administração municipal.
“Como a Prefeitura permite que um médico atue naquele local? Ele alegou não saber fazer a cirurgia. Ali são casos de emergência e urgência para ajudar a população carente, porque tem quem tem plano de saúde procura um médico particular. O caso da minha cliente era de pequenas cirurgias, tanto que foi feita no outro dia”, ressaltou a advogada.
O filho da idosa, Josimar Inácio Figueiredo, disse que, independentemente da indenização, busca por Justiça. “Espero que ele sinta um pouco pelo sofrimento que fez a minha mãe passar. Estamos focados para que ele pague pelo que fez”, disse.
Caso
No dia 8 de agosto, a aposentada Neide Azair Inácio Figueiredo, de 65 anos, machucou-se quando tentava passar a linha na agulha da máquina de costura elétrica. Sem querer, ela pisou no pedal e acionou o mecanismo que atingiu o dedo médio da mão esquerda. Ela procurou o pronto-socorro, mas o médico pediu para que ela voltasse no dia seguinte.
“Ele pediu um raio X, analisou e disse que estava tudo bem. Mas eu questionei, como assim está tudo bem? Tem um pedaço de agulha aí. Ele receitou um anti-inflamatório e pediu para ela retornar no outro dia porque ele não sabia fazer esse tipo de cirurgia”, contou o marido dela, Juarez Ribeiro Figueiredo.
A aposentada passou a noite com fortes dores e o procedimento cirúrgico para a remoção do objeto feito por outro médico ocorreu somente perto do meio-dia, cerca de 22 horas após o acidente. O filho da idosa registrou um boletim de ocorrência por omissão de socorro, já que o médico também não a encaminhou para outro hospital.
Na ocasião a Prefeitura informou que a retirada da agulha não era um procedimento simples e exigia anestesia, incisão no local do objeto e posterior sutura. Segundo a assessoria de imprensa da administração municipal, o pronto-socorro dispõe de uma equipe para pequenas cirurgias que atende no período da manhã. Sendo assim, a idosa retornou no dia seguinte e teve a agulha retirada de seu dedo".
A nota ainda explicou que, de acordo com a legislação vigente, o médico de PS deve ser clínico geral e com habilidades para tirar o paciente de risco iminente de morte. "Para isso, exigimos capacitações de nossos profissionais. Se a paciente corresse risco de vida e o médico não fosse habilitado para o procedimento, ela seria imediatamente encaminhada à Santa Casa local”, informou.
* Reprodução Márcio Melo
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