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| Foto: Canindé Pereira |
Preso como suspeito de ser mentor do assassinato do diretor do Alecrim Rugby, Enzo Albanese, de 42 anos, morto a tiros no dia 2 de maio em Natal, o italiano Pietro Ladogana, de 43 anos, também teria dado a ordem para um "susto" no secretário de Tributação de Extremoz, cidade da Grande Natal. As informações foram divulgadas neste sábado (7) pela Polícia Civil. O titular da Secretaria de Tributação, Giovanni Gomes de Araujo, de 53 anos, teve o carro atingido por dois tiros no dia 15 de agosto após uma solenidade de colação de grau no Centro de Convenções, em Natal.
O motivo do "susto", segundo a Polícia Civil, foi a cobrança de taxas e impostos nos imóveis que Pietro Lagadona comprava e vendia para lavar dinheiro. O delegado Raimundo Rolim, da Delegacia Especializada de Homicídios, detalhou que o italiano é suspeito de comandar uma organização criminosa que administrava pelo menos 10 empresas de fachada para cometer fraudes, estelionato, falsificação de documentos, lavagem de dinheiro e outros crimes. Há indícios de que a organização criminosa tenha ligação com a máfia italiana.
Ainda de acordo com a Polícia Civil, a decisão para mandar dar um “susto” no secretário foi aprovada em uma reunião com outros três sócios italianos de uma das empresas controladas pela organização criminosa, a Globo Construções LTDA. A descoberta de uma fraude feita pela mesma empresa teria motivado o assassinato de Enzo Albanese.
O responsável pelos tiros contra o secretário teria sido o policial militar Alexandre Douglas, o mesmo apontado como executor do diretor do Alecrim, Enzo Albanese. O PM foi preso na operação 'Pedra de Fogo' na última segunda-feira (2) junto com a ex-mulher de Pietro, chamada Tâmara Ladogana. Já o italiano foi detido no dia 29 de maio em Roma quando tentava embarcar para o Brasil com 120 mil euros - o equivalente a mais de R$ 300 mil - escondidos no corpo.
Pietro Ladogana está preso na prisão de Civita Vecchia, na região do Lazio, próximo a Roma. Os demais suspeitos do crime estão presos em Natal.
Organização criminosa
A Polícia Civil apreendeu um total de 145 mil euros - equivalente a mais de R$ 400 mil - na operação Pedra de Fogo. Além dos 120 mil euros que estavam com Pietro Ladogana, outros R$ 35 mil em espécie estavam com uma testemunha, que iria ser usada para retroalimentar o esquema fraudulento operado pela organização.
Também foram apreendidos vários animais de raça e um caminhão em uma das fazendas administradas pela organização, em Ielmo Marinho, além de cinco carros, sendo quatro deles importados. Um deles é um Corolla de cor Prata, que teria sido utilizado no dia da morte de Albanese.
A investigação da Delegacia de Homicídios aponta que a organização criminosa é proprietária de pelo menos dez empresas em Natal, Extremoz, Ceará-Mirim e Ielmo Marinho. Enzo Albanese teria sido morto porque descobriu e denunciou a fraude de uma dessas empresas. O delegado Raimundo Rolim conta que a Globo Construções LTDA adquiriu a Fazenda Telha, localizada em Ielmo Marinho, após transferir o imóvel ilegalmente para laranjas e depois para Pietro.
“Enzo era procurador de um dos sócios da empresa, fazendo a cobrança de alugueis de imóveis. Ele descobriu o esquema fraudulento e denunciou cerca de um mês antes de seu assassinato. Após a denúncia, ele passou a receber ameaças de morte, uma delas do policial militar”, detalhou Rolim.
A vítima chegou a registrar um boletim de ocorrência e denunciou as ameaças a sócios da empresa. O delegado Raimundo Rolim não descartou a participação de outros envolvidos no crime. “Outras pessoas estão sendo investigadas e possivelmente poderemos efetuar mais prisões relacionadas a esse homicídio”, concluiu.
Fonte: G1-RN


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