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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012


O período de janeiro a março de 2013 terá um regime de chuvas “entre normal e abaixo do normal”. Esse foi a conclusão de meteorologistas de vários estados, reunidos desde a última segunda-feira em Campina Grande, acerca dos primeiro trimestre do próximo ano. A reunião faz parte de uma série de encontros periódicos entre meteorologistas, pesquisadores e técnicos acerca da previsão climática para o semiárido. Segundo o meteorologista da Emparn, Gilmar Bristot, os dados utilizados no estudo são de novembro, o que implica na possibilidade de haver mudanças nesse panorama.
Segundo o meteorologista da Emparn, Gilmar Bristot, a previsão ainda carrega muitas dúvidas. Isso porque os dados utilizados no estudo são de novembro, o que implica na possibilidade de haver mudanças.
O prognóstico negativo foi obtido a partir de análises de dados da atmosfera e dos oceanos. De acordo com Bristot, o Oceano Atlântico Norte está “aquecido”. Essa variável aponta para um período chuvoso desfavorável. “Isso pode sofrer modificações. Caso o oceano sofra um processo de resfriamento em dezembro e principalmente em janeiro, o prognóstico muda. Existe uma tendência de resfriamento já identificada, mas é preciso acompanhar para ver o comportamento nos próximos meses”, diz Bristot.
Por conta dessas questões, a previsão realizada até agora “carrega muitas dúvidas”. Caso ela se confirme, a tendência é que chova entre 70 milímetros e 100 milímetros em janeiro e fevereiro. O período de chuvas da região mais afetada pela seca, por sua vez, começa, em anos normais, em maio. É nessa época que os índices pluviométricos são maiores. Em anos de bom inverno para a região do Semiárido potiguar, a estimativa é de que os pluviômetros marquem entre 600 a 700 mililitros e, para a região do Alto Oeste potiguar, a marca pode atingir 750 mililitros.


Veja a Materia da Tribuna do Norte
O período de janeiro a março de 2013 terá um regime de chuvas “entre normal e abaixo do normal”. Esse foi a conclusão de meteorologistas de vários estados, reunidos desde a última segunda-feira em Campina Grande, acerca dos primeiro trimestre do próximo ano. A reunião faz parte de uma série de encontros periódicos entre meteorologistas, pesquisadores e técnicos acerca da previsão climática para o semiárido. Segundo o meteorologista da Emparn, Gilmar Bristot, os dados utilizados no estudo são de novembro, o que implica na possibilidade de haver mudanças nesse panorama.
O prognóstico negativo foi obtido a partir de análises de dados da atmosfera e dos oceanos. De acordo com Bristot, o Oceano Atlântico Norte está “aquecido”. Essa variável aponta para um período chuvoso desfavorável. “Isso pode sofrer modificações. Caso o oceano sofra um processo de resfriamento em dezembro e principalmente em janeiro, o prognóstico muda. Existe uma tendência de resfriamento já identificada, mas é preciso acompanhar para ver o comportamento nos próximos meses”, diz Bristot.
Por conta dessas questões, a previsão realizada até agora “carrega muitas dúvidas”. Caso ela se confirme, a tendência é que chova entre 70 milímetros e 100 milímetros em janeiro e fevereiro. O período de chuvas da região mais afetada pela seca, por sua vez, começa, em anos normais, em maio. É nessa época que os índices pluviométricos são maiores. Em anos de bom inverno para a região do Semiárido potiguar, a estimativa é de que os pluviômetros marquem entre 600 a 700 mililitros e, para a região do Alto Oeste potiguar, a marca pode atingir 750 mililitros.
O estudo foi feito por meio de uma parceria entre técnicos da Aesa, do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos/Instituto de Pesquisas Espaciais (Cptec/Inpe), do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e de membros de diversos centros estaduais de meteorologia do Nordeste. 
Amanhã os envolvidos no encontro em Campina Grande devem decidir a data da próxima reunião, a ser realizada em Natal. Nessa reunião, os meteorologistas irão elaborar o boletim relativo ao período chuvoso do semiárido, que começa em março e se estende até maio. Trata-se da previsão final dos profissionais e técnicos em previsão do tempo, o que irá orientar a política de distribuição de sementes para a agricultura.
Em 2012, a Emparn reconhecidamente cometeu um equívoco ao prever um inverno acima da média no RN. De acordo com meteorologistas, existe uma linha de explicação acerca dos motivos desse erro e ela está centrada no sol. O motivo seria uma correlação entre as manchas solares e a chuva no Nordeste. Essa correlação não está devidamente explicada e nem é aceita pela Sociedade Brasileira de Meteorologia, mas nos últimos 10 picos de manchas solares foram registrados períodos de seca no Nordeste. Em 1919, por exemplo, a situação foi bem parecida com 2012. 

No campo, a esperança é de ano chuvoso
Todos os anos os agricultores e criadores de gado esperam a previsão meteorológica da Emparn. Mas antes disso as chamadas “experiências” tomam conta do imaginário do sertanejo. São evidências consideradas pelo homem do campo para decidir se é hora de preparar a terra as quais não têm comprovação científica. O dia oito de dezembro, por exemplo, é utilizado. Como o “tempo” amanheceu nublado, ou “bonito pra chover”, como o próprio sertanejo define, algumas pessoas começam a criar esperanças de um 2013 chuvoso.
Dentre esses, Rufino Medeiros, 70 anos, é um dos mais crédulos. Após ver a “experiência” positiva no último dia oito, ele começou a preparar a terra para as chuvas do próximo ano na pequena propriedade que mantém na Zona Rural de Caicó. “Tenho fé que vamos ter um ano chuvoso porque a experiência do dia de Nossa Senhora da Conceição não falha”, aponta Rufino, que possui duas vacas, um garrote e uma bezerra no sítio de poucos hectares às margens do açude Retiro.
Já Francisco das Chagas dos Santos, produtor de São José do Seridó, só acredita na “experiência” do dia de Santa Luzia. “Quem tem fé mesmo não erra. Se chover no dia de Santa Luzia, é inverno certo”, disse. O dia de Santa Luiza foi quinta-feira passada. Não choveu em São José do Seridó.
“Profetizar” acerca da chuva e da seca no sertão é um costume antigo. No geral, as “profecias” são baseadas em uma crença: a de que a natureza “sabe” quando haverá ou não chuva. Para os profetas, formigas, sapos, plantas e outros seres têm uma capacidade de sentir os sinais do clima mais desenvolvida que os seres humanos. Por isso, eles confiam no comportamento desses seres para tentar decifrar os rumos do tempo.

Memória
Os primeiros anos do século XX coincidentemente também foram de seca no semiárido nordestino. Entre 1908 e 1919, o Nordeste brasileiro passou por várias estiagens. Por conta do problema, o Governo Federal passou a destinar uma parte dos seus recursos para obras contra a seca. 
A mais prolongada e abrangente seca nordestina até o momento foi a de 1979: durou cinco anos e atingiu até mesmo regiões nunca afetadas anteriormente, como a Pré-Amazônia Maranhense e grande parte das zonas da Mata e Litoral do Nordeste. Pela primeira vez, a estiagem avançava além do Polígono das Secas.
Quase todo o Nordeste foi atingido. Calcula-se que, durante essa seca, morreram milhões de nordestinos, principalmente crianças desnutridas. Segundo informações do DNOCS. A mais conservadora estimativa indicava 100 mil mortos. As demais estimativas apontavam de 700 mil mortos por fome ou fraqueza a 3,5 milhões  O governo federal criou um “programa de emergência” que consistia na liberação de recursos para pagar um salário aos agricultores que passaram a trabalhar na construção de obras na região. 
Fonte: Robson Pires/Márcio Melo

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