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sexta-feira, 23 de março de 2012

TRANSPOSIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO

Água custará dez vezes mais que a média do País

 
Não foi apenas o custo da construção dos canais de concreto da transposição do Rio São Francisco que aumentou. O custo da água a ser futuramente fornecida pelo projeto, após os cofres públicos desembolsarem R$ 8,2 bilhões com a obra, foi reestimado pelo governo em R$ 0,15 o metro cúbico, ou quase dez vezes o preço médio cobrado no País.
Em dezembro do ano passado o Estado já havia divulgado que o custo da água poderia chegar a R$ 0,13 por metro cúbico apenas para o bombeamento no eixo leste, onde haverá cinco estações de bombeamento.
Por ora, o governo nega a possibilidade de subsidiar esse custo, considerado "compatível e de acordo com a capacidade de pagamento das cidades envolvidas", declarou ao Estado o Ministério da Integração. A água da transposição alcançará sobretudo centros urbanos de médio e grande porte em quatro Estados: Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte.
O ministério conta ainda com o fato de que parte da água será consumida por indústrias da região, ou que estão para abrir fábricas no semiárido nordestino. "Isso favorecerá a sustentabilidade financeira de operação e a manutenção do projeto", afirmou a assessoria do ministro Fernando Bezerra Coelho.
Desde antes do início da obra, já se sabia do custo elevado da água. A engenharia da transposição prevê que as águas desviadas do rio terão de ser bombeadas a uma altura de até 300 metros, o que consumirá muita energia, custo que será repassado à tarifa.
A operação do projeto deverá ser feita pelos quatro Estados beneficiados, segundo o Ministério da Integração, que abandonou a ideia de criar outra estatal para cuidar da transposição com intuito de não aumentar ainda mais os gastos públicos.
O modelo do órgão operador segue indefinido. No início das obras, o governo insistia que a água seria destinada só ao consumo humano e a animais de criação. Depois, o Ministério da Integração começou a considerar o uso para irrigação. É a primeira vez em que se fala em consumo industrial da água. / M.S.

Fonte: O Estadão
Por Márcio Melo

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